Segunda, Dezembro 19, 2005

Dezenove dias depois...

Sim, eu voltei. Quase me sentindo Spider Jerusalém ressurgindo das trevas, cá estou eu novamente disparando caracteres verborragicamente aos quatro ventos.

Fiquei muito contente ao ver que mesmo sem aparecer por um mês nesta espelunca eu tive quase duas mil visitas e 187 e-mails lotando minha caixa de entrada. Eu sei que vocês já estavam entrando em crise de abstinência sem suas doses diárias e cavalares de cultura inútil da boa.
Antes que continuem me mandando e-mails desesperados com frases como: "Ronzi não Morreu!!!", "Ronzi Voltará!!!", e "Querido Papai Noel, quero um Esquizofrenia Viral de natal", já adianto que estou de volta e trago novidades, mas antes vou explicar o que aconteceu.

A coisa é simples, como eu postava do serviço, a mordomia acabou, o que foi muito, muito ruim, afinal o quie farei das minhas tardes agora, sem poder passear pela blogosfera? Whatever...

Mas, toda moeda tem seus dois lados, agora tenho internet em casa, as atualizações serão muito mais frequentes que antes, e uma novidade: Agora minha vontade de fazer entrevistas talvez ande. Estou sondando nosso mundinho virtuais em busca de cobais (leia-se entrevistados) que se sujeitem a tal experiência humilhante.

É isso, e leiam a porra do texto de baixo que é a atualização de hoje.

Segunda, Novembro 28, 2005

Livros verdes e letras douradas

A quem possa interessar,


Adquiri para meu próprio Deleite (ou seria Delírio?) esse final de semana, que foi deveras movimentado e prazeiroso, poderia até me referir a ele (o final de semana) como fabulosamente anelar, um livro verde com letras douradas, muito aguardado por mim.
Devido a esse acontecimento as atividades desse blog estarão suspensas até o término da leitura do Livro Verde com Letras Douradas, que deve se dar entre o crepúsculo de hoje ao amanhecer do dia 30 do mês vigente.
Caso tenham curiosidade em saber a que livro me refiro, basta saberem que o ilústre senhor Eduardo, também aguardava ansiosamente o mesmo livro e provavelmente compreende a minha atitude.

Salientando que estaremos de volta mais tardar no amanhecer do dia 30 deste mesmo mês, deixo meu desejo de um ótimo começo de semana à todos.

Atenciosamente,


Deus Apolíneo, Onipotente e Onipresente.

Quinta, Novembro 24, 2005

O Bonsai

Certa vez a Luana me deu um bonsai, aquelas arvorezinhas japonesas, depois e eu passar uns dois meses atormentando sua existência. Lembram daquela propaganda comercial onde um garotinho chato pedia insistentemente uma bicicleta Caloi de natal para os pais? Bem, eu fiz pior.
Então, inexplicavelmente num domingo, ela resolveu me presentear de livre e espontânea pressão com um bonsai.

Escolhi a éspécie e perdi quase uma hora escutando pacientemente os conselhos de um senhor japonês, enquanto ele fazia questão de salientar redundantemente o cuidado com o sol, com água excessiva e com o ambiente. Nem um bebê recém-nascido precisa ser tão mimado quanto uma árvore bonsai, mas mesmo assim saío feliz da loja exibindo meu bonsai verdejante.

no início todo corria bem, meu bonsai e eu, eu e meu bonsai, realmente felizes, até que um dia o musgo que rebobre a terra do vaso começou a secar, e as folhas a amarelarem.
Levei para o senhor japônes verificar e ele disse que talvez fosse excesso de água, e aconselhou que diminuisse a freqüencia em que a hidratava. Resultado: Um mês depois a árvore estava mais morta que os Beatles após Yoko Ono.

Nunca descobrimos a causa real da morte do bonsai, mas de toda essa situação triste eu tirei uma grande lição:
O bonsai só poderia ser de origem japonesa, morre por quaquer coisa.

Quinta, Novembro 03, 2005

Tremei!!!

Não pensem que o Esquizofrenia Viral entrou em greve, pegou senha no INSS ou morreu na fila do SUS, nem qualquer coisa do tipo, amanhã estarei de volta com mais anomalias, bizarrices e anormalidades para o desfrute dos desocupados internérdicos que não tem nada melhor para fazer. Pode parecer grotesco e desumano, mas as vezes eu tenho que trabalhar... até amanhã!!!

Segunda, Outubro 31, 2005

Dia de dentista

Ir ao dentista pode ser uma averiguação do caráter humano inesquecível.

Na sala de espera onde uma nove pessoas tentavam disfarçar sentimentos de angústia e pânico, revistas CARAS de dois anos atrás acumulam-se sobre uma pequena mesa de madeira, enquanto todos os presentes se entreolham esperando ver no vizinho uma aflição maior que a sua para sentir-se um pouco mais confortável. Sentimentozinho bem egoísta, típico de qualquer ser humano.
Quando o dentista aparece pela porta, com suas vestes brancas e um sorrisos meio débil desenjando  um bom dia à todos, os presentes tem uma certeza absoluta que o homem é um sádico. Não há como negar, aquelas roupas impecavelmente brancas acompanhadas pelo barulho ensurdecedor da broca intimida.

Na tentativa de dissipar a tensão, uma mãe com seu filho meio obeso com a cara que me lembrava um bulldog chorão, tenta puxar assunto. Primeiro rodeia sobre o clima, depois sobre o preço das coisas e finalmente pergunta:
"O que vai ser?".
"Como?", pergunto meio assustado.
"O que vai ser? Obturação?", insiste  ela. 
"Hã? Extração", respondo meio afetadamente, enquanto a mulher sorri.
"Ah! Que horrível", exclama disfarçando a felicidade de ter encontrado alguém com um procedimento provavelmente pior que o seu, e continua querendo se justificar:
"Eu não tenho nada. É meu filho, o coitadinho tem que colocar aparelho. Não entendo, os dentes não são tão tortos. Mostra pro moço, querido".
O garoto sorriu. A cena foi grotesca.
Aquilo não era uma arcada dentária, era uma cordilheira de montanhas com picos quebrados e salientes. Perguntei-me se a pobre alma teria nascido assim, ou se aquilo era resultado de alguma experiência genética secreta que deu errado.
"É, mesmo" respondi rapidamente, e me joguei à leitura insípida de uma "Contigo" que datava de abril de 2004, temendo um novo ataque de solidariedade por parte da mulher.

Depois de algum tempo na saleta da espera para o abate, você começa a se conformar com sua situação infeliz, sabe como é... meio fodido, fodido e meio... Então aquele sentimento egoísta começa a transformar-se em impaciência. O relógio parece não se mexer, as consultas parecem levar um tempo enorme, a aflição aumenta e de repente você se vê tomado por uma coragem enorme: Se for para ser, que seja logo!
O garoto do aparelho entra na sala, sou o próximo finalmente. Meia hora depois o garoto saí com cara de choro e sem o aparelho, extraíram-lhe dois dentes do fundo para poder colocar o aparelho numa nova visita, quase me sinto revigorado ao ver o sofrimento alheio, quando a atendente anuncia meu nome. Tomo coragem e entro na salinha.

O dentista, agora mascarado, para que não pudesse ver a alegria de causar dor ao próximo estampada em seu rosto. Faz uma piadinha de sobre times de futebol que não compreendo e me indica onde devo sentar-me. Deito-me na cadeira e ele logo se põe a analisar o lugar e aplicar a anestesia. Meu maxilar fica dormente o homem com seus olhinhos maus saca de uma botica e começa a extração, não sinto nada... cinco minutos depois está feito, meu siso está  num potinho plástico que o homem indica como se fosse um troféu de guerra, e não acredito que ainda vou pagar o filho de uma puta. Passo os cheques, compro numa farmácia os antibióticos receitados, sabendo que em uma semana toda a via crucis se repetirá...

Quinta, Outubro 20, 2005

Coisas do Tinhoso

O mundo moderno é feito de coisas e objetos que eu definitivamente não compreendo o funcionamento, e olha que alguns nem são tão modernos assim. Pra mim tudo isso tem influência do demo:

Telefone - Coisa estranha. Veja o funcionamento do troço: Você pega um pedaço de plástico de formato esquisito e sinistro, cheio de buraquinhos minúsculos nas extremidades, ligado por um fio em uma caixinha com números que por sua vez é ligada em outro fio. Digite alguns números na caixinha, espere um pouco com o pedaço de plástico perto da orelha e você escuta um "Alô?" de uma pessoa que pode estar a 5.000 quilômetros de distância. E o melhor de tudo sua voz passou por um fio.
Pior ainda que o telefone é o fax, além de fazer tudo que o telefone faz, você escreve em em um papel, põe na máquina sinistra e do outro lado sai escrito a mesma coisa, perfeitamente igual.

Máquina Fotográfica - Coisa do diabo. A única explicação para ela é rouba realmente sua alma. Com um pedaço de plástico, um pedacinho de vidro e uma fita dentro, aperta-se um botão, emite uma luz que captura um momento do tempo, e fica lá, resgistrado para sempre, e você pode olhar sempre que quiser algo que já aconteceu. A filmadora, como o o fax no caso do telefone é ainda mais mórbida, além de fotografar um momento que já passou, ele ainda se movimenta, como se estivesse acontecendo outra vez  em um caixote chamado televisão.

Televisão - Além de usar a máquina diabólica de gravar gente em movimento, essa invenção amaldiçoada envia isso para o mundo inteiro, onde em caixotes de plástico e vidro as imagens aparecerão. Como? Ela usa algo que os satanistas chamam de satélite. Através de algum método maligno, elestranformam os filmes, que antes eram fitas de plástico, em dados, que ao mesmo tempo não é nada, pois, dados não existem no mundo físico, enviam pelo ar até o satélite, que novamente pelo ar manda o filme para todas as televisões no mundo.

Se isso não é coisa do tinhoso, eu não sei o que é.

Terça, Setembro 13, 2005

Eu não sei dançar

Cena corriqueira: Sábado a noite, casa notura, pista cheia, eu em uma das mesas laterais montando persistentemente pirâmides de latas que insistem teimosamente em emborcar pela mesa. É, a vida é injusta e cruel, eu não sei dançar.

Lembro-me dos tempos da lambada. De seus dançarinos com os cabelos penteados violentamente para trás com gel, carregando no rosto um olhar matador, clichê dos filmes de dança com seus amantes latinos e das garotas de cabelo frisado e saias curtas e esvoaçantes parecidas com a fruteira de mamãe, com seus mamões, laranjas e maçãs em fundo verde. Nas festas juninas da escola, criança ainda era, enquanto ambos se esbaldavam em rodopiar pelo salão, eu me mantinha o mais afastado possível, nos limites seguros que minha timidez me impunha, pois meu desconcerto, e admito, certas gordurinhas a mais, me impeliam a ficar o mais distante possível de qualquer convite inesperado para um arrasta-pé.

A lambada se foi, e com ela todos os vestígios de salsa, Betos Barbosa, e (vã esperança) Sidney Magal, naquele tempo apenas Magal, divorciado temporiamente de sua amada cigana Sandra Rosa madalena, eu havia finalmente adentrado na aborrescência e agora usa calças jeans rasgadas, all-star batido, e camisa flanela, era o grunge, e eu um perfeito anti-capitalista melancólico, que, para infelicidade completa de meus pais, tinha uma guitarra.
Enquanto eu e minha banda vomitavamos verborragicamente impropérios anti-estadosunidenses em bares sujos, nas pistas The Summer is Magic embalava os pés-de-valsa em passinhos ensaiados. Era o poperô, bate estaca, tuts-tutsi, a volta da disco remasterizada e sem as bocas-de-sino.

O Grunge deu um tiro na cabeça, e muitos que odiavam cabelos channel sebosos comemoraram o fato, o mundo era fashion, eu descobria o brega, o blues, o jazz, os besouros de Liverpool, e cantava Zé-Ramalho, com sandálias de couro no pé. Tornei-me um mago-zen-ufólogo, a cantar em fogueiras regadas a vinho barato, enquanto no carnaval o forró invadia as rádios e os carros e em qualquer buraco que entrasse poderia ver um triângulo ressoando e pessoas dançando um-dois-um-dois. Com o carnaval, o lança-perfume e o forró veio uma moça de olhos brilhantes, cabelos doces e cheiro de sonho, ela gosta de dançar, e insistentemente tenta me ensinar a arte do um-dois-um-dois. Até que desiste, depois de explicar-lhe sobre minha descoordenção e que jamais seria um John Travolta para torná-la Uma Thurmam cruzando os dedinhos pelo ar.

Hoje, ainda gosto de besouros, mas as sandálias já não servem mais, Bobby McGee e eu ainda somos amigos, e ela...

Ela continua dançando com seus olhos brilhantes, cabelos doces e cheiro de sonho, mas também continua aqui, apesar que nunca serei um John Travolta, aprendeu a gostar de malucos-beleza e sabe que será eternamente a Dona da Minha Cabeça, Uma-Thurman-Que-Cruza-Dedinhos-Pelo-Ar.

Sábado, Setembro 10, 2005

Ó, dúvida cruel...

Recebi umas críticas por e-mail quanto ao novo layout do blog. Apesar de todos concordarem que gostaram das Categorias, todos também foram de ponto-comum que o Layout antigo, com fundo preto e vermelho e letras brancas, dificultava a leitura, era confuso, ou seja eua uma bosta. Logo, como não adianta ter um blog que as pessoas não conseguem ler, alterei para esse que estão vendo aí, laranjão. Tem um laranja com fundo branco também, se esse ainda estiver ruim.


Tenho minhas dúvidas se  ficou bom, então gostaria que vocês opinassem sobre um layouts e me ajudassem a decidir qual usar.

P. S.: Aos que reclamaram quanto a foto, eu nasci assim, OK?

Terça, Julho 26, 2005

Corrente Cinéfila

Esse questionário foi-me indicado pela Lili, do Rivotril, uma cinéfila inveterada, lá vai:

1) Qual o seu filme favorito?

Poderia dizer vários, meus melhores filmes sempre variam com os momentos da minha vida. Mas, em geral eu gosto de filmes antigos, e no momento atual o meu melhor filme é A LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE). Sempre dizem que as adaptações diminuem a obra original. Nesse caso a iguala (apesar das adaptações), se não supera o livro homônimo de Anthony Burgess. Malcolm McDowell no papel de Alex, está simplesmente maravilhoso.

2) Qual o último DVD que você comprou?

Ainda estou na fase antiquada do VHS.

3) Quais os 5 últimos filmes que você viu?

GATTACA;
JOGOS MORTAIS;
FANTÁTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (original);
BLADE RUNNER;
MORTOS DE FOME.

4) Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?

Tenho alguns preferidos, como Abril Despedaçado e Lavoura Arcaica, mas seria uma puta injustiça não dar o título para O PAGADOR DE PROMESSAS.

5) Qual o seu diretor /ator /atriz e o seu gênero favoritos?

Diretor: Hoje é o Tarantino
Ator: Al Pacino (Poderoso Chefão é imortal).
Atriz: Audrey Hepburn
Gênero: Na verdade todos, mas se for para escolher só um, fico com SUSPENSE.

6. Escolha 5 pessoas para passar a corrente…

Franklin
Michel
Fernanda
Idelber
Queena

Sábado, Julho 23, 2005

O caso das cuecas

Quando o país está em recessão até os assaltantes adequam-se a crise.
Sábado toca o telefone no trabalho (sim, esse pobre diabo trabalha aos sábados em período integral), quando atendo percebo que é minha mãe e está meio assustada. Pergunto a ela o motivo para estar daquela maneira e eis que a resposta deixou-me completamente abobalhado:

”Filho, quando fui a padaria entraram em casa e roubaram as roupas do varal”.
“Todas, mãe? Tinha alguma roupa nova lá?”
“Tinha, mas não levaram...”
“Não levaram? Roubaram o que então?”
“Suas cuecas...”

Obviamente desatei a rir do lado de cá. Que maldito ladrão rouba cuecas?
E algumas daquelas cuecas ainda eram velhas, meio largas que guardo, pois são confortáveis para dormir.
Será que os gatunos estão em crise tamanha que agora se contentam em nos desfazer de nossas cuecas?
Meu pai acredita que possa haver alguma ligação entre o larápio e um certo assessor de deputado em uma trama mórbida para envolver-me em algum escândalo político, ou simplesmente ligar-me ao crime.
Se for o caso vocês já estão de sobreaviso: Não fui eu.
As cuecas eram minhas, mas não fui eu!