Segunda, Setembro 26, 2005

Eu bebo sim e vou vivendo...

Nova York, 24 de outubro de 1929. Todo o mercado financeiro estava apreensivo, a Bolsa de Valores dava sinal de colapso, tinha início o que depois veio a ser chamado de o "Crack" da Bolsa, vários investidores já haviam se suicidado.
Bill Wilson, um jovem e outrora promissor analista financeiro, abre a janela de seu escritório em Wall Street, e sobe no parapeito disposto a se jogar na rua. Na hora "H" não teve coragem e rumou para o pub que frequentava na 56TH Street. Pediu uma garrafa de Uísque e encheu a cara até babar no balcão. Não que isso fosse uma novidade na vida de Bill, estar de porre era uma constante para ele desde criança. Filho de uma tradicional família americana, aprendeu com o pai os segredos do que chamava de "elixir da vida": Dry Martini e Scotch Duplo com gelo. Ao ter o vício criticado pela esposa, retrucava dizendo que os gênios só eram gênios quando estava embriagados. E em Wall Street ele era tido como um gênio, apesar de nos dias atuais sua "especialidade" ser considerada crime e dar cadeia. Ele usava de influência pessoal e de conselhos a investidores para inflar o preço das ações, na época prática comum.
Era 24 de outubro de 1929 e Bill Wilson havia perdido tudo.
Ele e a esposa tiveram de abandonar o luxuoso apartamento em Manhattan e foram morar de favor numa casa do subúrbio. Era o dim para Bill que passou a encher a cara cada vez mais, as internações hospitalares devido ao álcool eram constantes, até 1934 ele havia sido internado quatro vezes. Então, de súbito, algo inesperado supostamente aconteceu: Wilson em uma cama de hospital, desesperado, implorou aos céus por um milagre e naquele momento o quarto foi inundado de luz divinamente alva. Obviamente não há testemunhas do fato, mas no dia seguinte Bill havia parado de beber e dedicou à partir de então, sua vida a uma cruzada contra o alcoolismo.

O primeiro "convertido" por Bill Wilson, foi um velho médico beberrão, Dr. Bob Smith, de Ohio.
Os dois ex-bebuns resolveram criar uma associação para dependentes alcoólicos, mais tarde nomeada como AA - Alcoólicos Anônimos, baseada na crença que ninguém era melhor para ajudar um bêbado do que outro bêbado. A chave era a admissão da fraqueza perante o vício e da busca do auxílio em grupo para o tratamento.
A instituição manteve-se obscura até 1941 quando o Saturday Evening Post, revista de grande circulação na época publicou um artigo sobre uma tal associação que curava bêbados. Logo, Bill se tornava o profeta do Anti-alcoolismo e milhares de pessoas nos EUA começaram a procurá-lo em busca da cura. Hoje, mais de 2 milhões de pessoas em 150 países fazem parte dos AA. Em 1990, Willian Wilson, foi eleito pela revista Life, uma das pesonalidades mais inflentes do século XX.
Pena que a história de Bill não acabou por aí. Após a cura do alcoolismo, ele, agnóstico confesso, nunca entendeu a "experiência mística" que acreditou fazer parte naquele dia no hospital. Se envolveu com ocultismo, atrás das respostas que procurava, mas nada mais lhe foi revelado. Na década de 60 descobriu o LSD e se encantou com os efeitos da droga (que lhe acompanhou até o fim da vida), e propôs seu uso como sucedâneo do álcool nas sessões do AA. Um fracasso. O sucesso lhe subiu à cabeça e ele começou a colecionar amantes, que empregava nos centros de reabilitação. Bill faleceu em 1971 vítima de outro vício que lhe acompanhou por toda a vida. Fora vítima de enfisema pulmonar causada pelo consumo de três maços de cigarros diários. Entretanto, o seu legado permanece salvando vidas do vício.

Um brinde para Bill Wilson.


P. S.: Não costumo escrever biografias, mas essa achei bastante interessante.

Comentários

Com certeza muito interessante e esclarecedora...Adorei essa aula "histórica" de hoje...Estar atento..é a lição que pra mim ficou...
Bjs,
Slave

Escrito por: Slave | Segunda, Setembro 26, 2005

então sem fumo e sem bebida...
bju.

Escrito por: Simy | Segunda, Setembro 26, 2005

Tá ai, gostei.


beijos

Escrito por: claudia | Segunda, Setembro 26, 2005

Realmente uma biografia interessante... Mas, apesar de tudo, ainda continuarei, e jamais deixarei, de beber minha loira gelada...

Escrito por: Marcelo Orlando | Segunda, Setembro 26, 2005

interessante. cara, você fuça, hein? e acha cada coisa... beijo, cris

Escrito por: cristiane | Segunda, Setembro 26, 2005

A Lõca? Claro, claro que conheço. De nome. Curto muito essa vida de balada naum, sou mais um cafezinho no Extra (tá, tá... pode ser no Fran's)! :-)

Escrito por: Edu | Segunda, Setembro 26, 2005

Bem que dizem que se troca um vício por outro e por outro... uma pena que seja tão difícil se viciar em alface, agrião e coisas do tipo.

Escrito por: bia | Terça, Setembro 27, 2005

Pois... ninguém é perfeito!
Ótima biografia mesmo.
Bjo.

Escrito por: Lili | Terça, Setembro 27, 2005

tin-tin! quem é que vive sem manguaça?;-)

Escrito por: mari | Terça, Setembro 27, 2005

Maneira a biografia

Escrito por: Ricardo Rayol | Quinta, Setembro 29, 2005

Comente