Quinta, Julho 28, 2005

Minha vida por 15 minutos

Que situações uma pessoa é capaz de passar para ter seus quinze minutos de fama?
O que leva milhares de pessoas a desejarem com avidez tamanha poucos momentos na televisão, mesmo que no outro dia poucos (talvez ninguém) lembrem ou sequer tenham notado sua presença? Muitas vezes sujeitando – se a situações vexatórias ou embaraçantes por poucos segundos de exposição na mídia, numa tentativa enlouquecida de destacamento social, ou reconhecimento público.

Ligo a televisão e no primeiro canal que sintonizo, uma garota está tentando se decidir entre quais dos três rapazes fantasiados ridiculamente de anfíbios saltadores ela irá escolher para beijar até o final do programa. Na verdade os quatro participantes estão mais preocupados em auto-afirmar sua qualidades do que com o real objetivo do programa (se é que há algum objetivo).
Mudo rapidamente de canal. Nesse ricos e endinheirados gastam fortunas para que um apresentador em black tie freqüente suas casas e festas, entreviste-os e aos seus convivas, abordando assuntos interessantíssimos como a aquisição de sua nova Ferrari conversível com banheira de hidromassagem no porta-malas e kit-maquiagem no porta luvas.
Outra vez tomo o poder do controle remoto em minhas mão e troco o canal.Esse me parece mais interessante, um homem que sofre de obesidade gravíssima, e usa camisas horríveis dá trinta segundos para que o pressuposto artista apresente desenvolva seu número em frente da platéia, entretanto logo no primeiro número entra um homem que diz que seu periquito albino jamaicano chamado Alfonso é capaz de recitar Drummond em javanês. O ponteiro do cronômetro dispara, e o periquito permanece ali, estático, pensei que fosse empalhado, até que por um milagre ele resolve atacar o apresentador. Desligo a TV.

Todos os dias inúmeros participantes se propõe a passar por situações parecidas e até mais bizonhas que essas exemplificadas por mim, buscando as falsas promessas veiculadas constantemente pela mídia, conscientemente ou não, um reconhecimento imediato, escalada social, e claro, grana. Contudo para a grande maioria nada disso se realiza, e servem apenas como distração de minutos em meio a grade televisiva, sendo apagados da memória com a entrada de uma nova atração.

Esse sonho irreal de fama deve-se em grande parte a indústria das pseudocelebridades, da “modelo e atriz”, do rosto bonito que tem uma rápida ascensão no meio televisivo, como as Tiazinhas, Feiticeiras, Gêmeos, e outros “artistas-de-coisa-nenhuma” que na verdade não tem um talento real a apresentar, mas levantam o ibope só com um close de seus corpos em roupas mínimas. Hoje, qualquer um pode ser artista e famoso, mesmo que desapareça em meio a um BBB e uma Casa dos Artistas.

Claro que nada disso seria uma verdade se nós, os telespectadores, não nos interessássemos por esses que buscam seus pequenos minutos na TV, e gostássemos tanto de cuidar da vida dos outros, mas isso é um assunto para outro artigo, pois estou atrasado para o meu teste no Fama.

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