Sexta, Julho 29, 2005
A gente sempre sabe.
A gente sabe que há algo errado acontecendo, a gente pode sentir no ar, como se fosse uma onda radioativa quando uma cagada vai ser feita, mas mesmo assim a gente olha para cima como se procurássemos um passarinho verde no céu e a gente assobia uma melodia improvisada qualquer.
Começa devagarzinho essa onisciência, como uma pontadinha no fundo do cérebro ao perceber que algo em algum lugar do universo simplesmente não vai bem, e logo a gente de olhar para o outro lado pensando “Não é com a gente, não é com a gente!”. De repente, como a reação química da massa do bolo no forno, a coisa começa a aumentar, e aumentar paulatinamente, a gente descobre o que é finalmente, mas a gente sabe que ainda pode controlá-la se quiser, mas nada a gente faz, simplesmente a gente dá de ombros e imagina quando alguém vai perceber o absurdo que os outros estão deixando acontecer sem fazer nada, de qualquer maneira, a culpa não é da gente mesmo.
A coisa continuou crescendo enquanto a gente se fazia de cego e agora a já ultrapassou os limites do controle humano, uma bomba de bosta preste a explodir, é como jogar merda no ventilador vai voar para todo lado e todo mundo vai sair sujo. Então no desespero a gente tem a idéia. A gente corre e comunica que a coisa está preta à alguém, que corre contar para O Alguém. Deu certo. A gente volta para nosso esconderijo e olha para o céu a procura do famigerado passarinho verde e a gente improvisa mais um assobio, desta vez James Brown na melodia, por que a gente se sente bem.
A coisa explode e gente vê a merda respingar em todos, menos na gente, milagrosamente, e a gente fica ali observando todos chafurdar na lama. A gente sabe que vai ficar tudo bem, até que a gente sinta outra pontadinha de onisciência.
Por quê a gente sabe, a gente sempre sabe.
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Quinta, Julho 28, 2005
Minha vida por 15 minutos
Que situações uma pessoa é capaz de passar para ter seus quinze minutos de fama?
O que leva milhares de pessoas a desejarem com avidez tamanha poucos momentos na televisão, mesmo que no outro dia poucos (talvez ninguém) lembrem ou sequer tenham notado sua presença? Muitas vezes sujeitando – se a situações vexatórias ou embaraçantes por poucos segundos de exposição na mídia, numa tentativa enlouquecida de destacamento social, ou reconhecimento público.
Ligo a televisão e no primeiro canal que sintonizo, uma garota está tentando se decidir entre quais dos três rapazes fantasiados ridiculamente de anfíbios saltadores ela irá escolher para beijar até o final do programa. Na verdade os quatro participantes estão mais preocupados em auto-afirmar sua qualidades do que com o real objetivo do programa (se é que há algum objetivo).
Mudo rapidamente de canal. Nesse ricos e endinheirados gastam fortunas para que um apresentador em black tie freqüente suas casas e festas, entreviste-os e aos seus convivas, abordando assuntos interessantíssimos como a aquisição de sua nova Ferrari conversível com banheira de hidromassagem no porta-malas e kit-maquiagem no porta luvas.
Outra vez tomo o poder do controle remoto em minhas mão e troco o canal.Esse me parece mais interessante, um homem que sofre de obesidade gravíssima, e usa camisas horríveis dá trinta segundos para que o pressuposto artista apresente desenvolva seu número em frente da platéia, entretanto logo no primeiro número entra um homem que diz que seu periquito albino jamaicano chamado Alfonso é capaz de recitar Drummond em javanês. O ponteiro do cronômetro dispara, e o periquito permanece ali, estático, pensei que fosse empalhado, até que por um milagre ele resolve atacar o apresentador. Desligo a TV.
Todos os dias inúmeros participantes se propõe a passar por situações parecidas e até mais bizonhas que essas exemplificadas por mim, buscando as falsas promessas veiculadas constantemente pela mídia, conscientemente ou não, um reconhecimento imediato, escalada social, e claro, grana. Contudo para a grande maioria nada disso se realiza, e servem apenas como distração de minutos em meio a grade televisiva, sendo apagados da memória com a entrada de uma nova atração.
Esse sonho irreal de fama deve-se em grande parte a indústria das pseudocelebridades, da “modelo e atriz”, do rosto bonito que tem uma rápida ascensão no meio televisivo, como as Tiazinhas, Feiticeiras, Gêmeos, e outros “artistas-de-coisa-nenhuma” que na verdade não tem um talento real a apresentar, mas levantam o ibope só com um close de seus corpos em roupas mínimas. Hoje, qualquer um pode ser artista e famoso, mesmo que desapareça em meio a um BBB e uma Casa dos Artistas.
Claro que nada disso seria uma verdade se nós, os telespectadores, não nos interessássemos por esses que buscam seus pequenos minutos na TV, e gostássemos tanto de cuidar da vida dos outros, mas isso é um assunto para outro artigo, pois estou atrasado para o meu teste no Fama.
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Quarta, Julho 27, 2005
O Homem e as cores
Para que de uma vez por todas as mulheres compreendam seus respectivos amados, amantes, cônjuges e afins, dessa forma mantendo um relacionamento muito mais harmonioso, resolvi explicar o dilema das cores que tantas celeumas geram entre os casais.
Se você, mulher, mostrar ao seu parceiro um vestido da cor bege e depois um vestido igual da cor areia, e ele não nota a menor diferença, não o critique, pois nós homens só enxergamos e reconhecemos 16 cores, não mais que isso, e qualquer cor fora desse padrão demora a ser interpretada em nosso cérebro que tem maiores ocupações, e caso não exista um contato constante com essa cor, rapidamente a informação é excluída. Ou seja, provavelmente jamais guardaremos a distinção entre Creme, Areia e Bege.
Esse é o motivo para o Windows ter seu padrão em 16 cores, que são as compreendidas por nós, os homens, já que ele foi criado por um. E dessa maneira facilitar a interface entre nós e a máquina. Mais que isso seria apenas dificultar e confundir. Observe a paleta de cores padrão do Windows abaixo:
Qualquer cor variável entre essas inexiste para nosso cérebro.
De uma vez por todas compreendam: Verde é verde, e piscina é apenas uma banheira grande cheia de água. Pêssego é uma fruta, e salmão é um peixe, ponto final.
E pelamordedeus o que é furta-cor?
P. S.: Nê, isso não foi uma indireta.
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Terça, Julho 26, 2005
Pelada, pelada. Nua, com a mão no bolso
É, parece que não vamos ter de passar pela infelicidade de ver Fernanda Karina posando nua para a Playboy. Segundo esta reportagem, a revista assume ter sondado a idéia nos bastidores de chamar a ex-secretária de Marcos Valério para um ensaio, mas nunca a convidou ou fez nenhuma proposta formal. Fernanda queria uma quantia de 2 milhões de reais para exibir seu corpinho meia-sola no ensaio, o que reverteria numa futura campanha política, segundo ela mesmo afirmou. Resumindo, ela ia ficar pelada para financiar a campanha e se desse sorte ainda conseguiria uns eleitores através de uma imagem mais “aberta”.
Uma Cicciolina brasileira, exatamente o que o país precisa, hã?! Dá-lhe Photoshop.
Novidade para o público feminino e gay, parece que até o petista preso no aeroporto de congonhas, José Adalberto Vieira da Silva, portando 200 mil reais numa mala, e 100 mil reais escondidos na cueca, está sendo sondado para um futuro ensaio fotográfico na revista G. Entretanto as negociações estão estagnadas no momento, devido a relutância o ex–petista em mostar o conteúdo da cueca.
E a Discovery não explodiu...
15:10 Escrito em Atualidades | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Garrafa de água de R$ 180 mil é roubada na Grã-Bretanha
Ai, eu adoro essas notícias bizarras que vez por outras nos são apresentadas. Essa é fantástica. Roubam uma garrafa de água.
"Tá, e aí?", você me pergunta. E aí que a garrafa de água era avaliada em 180 mil paus, pois era uma obra de arte feita com água tradiza da Antártica. Bem nem vou falar mais nada, leiam a entrevista completa.
Garrafa de água de R$ 180 mil é roubada na Grã-Bretanha
FONTE (da notícia, não da água): BBC/Londres
Uma garrafa de água avaliada em 42,5 mil libras (pouco mais de R$ 180 mil) foi roubada em um festival literário na Grã-Bretanha, nesta terça-feira.
A garrafa de dois litros de água continha gelo derretido da Antártica e era uma criação do artista Wayne Hill para chamar a atenção sobre aquecimento global.
Hill, que deu o título Arma de Destruição em Massa para a obra, teme que alguém tenha simplesmente apanhado a garrafa e tomado a água.
"Parecia uma garrafa de água comum, mas estava em uma base, com uma etiqueta de identificação e descrição e era citada no programa do festival", disse Hill.
Apelo
O artista está fazendo um apelo para que a pessoa que pegou a garrafa no festival "Ways with Words", em Dartington Hall, no sul do condado de Devon, devolva sua criação.
"É uma peça forte e gostaria de tê-la novamente. A peça já tinha sido incluída nos programas de outras exposições neste ano e já estava ganhando uma reputação", disse.
O artista, que tinha posto o preço de 42,5 mil libras na garrafa, diz que ela é claramente uma obra de arte
Ele calculou seu valor com base no prejuízo causado ao mundo pelo derretimento da camada de gelo.
Hill tinha criado a obra no início deste ano, usando gelo
derretido da Antártica que tinha sido trazido por um amigo a seu pedido.
O melhor de tudo é que o cara calculou o prejuízo sobre os danos causados ao mundo.
Valha-me Deus, vende-se qualquer coisa hoje em dia.
15:05 Escrito em Mondo Bizarro | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Corrente Cinéfila
Esse questionário foi-me indicado pela Lili, do Rivotril, uma cinéfila inveterada, lá vai:
1) Qual o seu filme favorito?
Poderia dizer vários, meus melhores filmes sempre variam com os momentos da minha vida. Mas, em geral eu gosto de filmes antigos, e no momento atual o meu melhor filme é A LARANJA MECÂNICA (A CLOCKWORK ORANGE). Sempre dizem que as adaptações diminuem a obra original. Nesse caso a iguala (apesar das adaptações), se não supera o livro homônimo de Anthony Burgess. Malcolm McDowell no papel de Alex, está simplesmente maravilhoso.
2) Qual o último DVD que você comprou?
Ainda estou na fase antiquada do VHS.
3) Quais os 5 últimos filmes que você viu?
GATTACA;
JOGOS MORTAIS;
FANTÁTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (original);
BLADE RUNNER;
MORTOS DE FOME.
4) Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?
Tenho alguns preferidos, como Abril Despedaçado e Lavoura Arcaica, mas seria uma puta injustiça não dar o título para O PAGADOR DE PROMESSAS.
5) Qual o seu diretor /ator /atriz e o seu gênero favoritos?
Diretor: Hoje é o Tarantino
Ator: Al Pacino (Poderoso Chefão é imortal).
Atriz: Audrey Hepburn
Gênero: Na verdade todos, mas se for para escolher só um, fico com SUSPENSE.
6. Escolha 5 pessoas para passar a corrente…
Franklin
Michel
Fernanda
Idelber
Queena
14:05 Escrito em Eu, por eu mesmo! | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Segunda, Julho 25, 2005
Exemplo é bom...
Essa todos já ouviram, não?
Um pagodezinho grudento rolando e na tela imagens de um sem-número de pessoas educadas dando bons exemplos, como o rapaz que cede de boa vontade o táxi para uma mulher em uma noite chuvosa. Acredito que os dois não deveriam estar no Capão-Redondo, em São Paulo, muito menos esperando um táxi na entrada da Rocinha.
São comerciais como esse, belos, cheios de cores, com uma música melequenta exaltando as boas maneiras que me fazem perguntar: Em que ponto afinal chegamos?
Sim, que estágio alcançamos para que tenha de ser veiculado em rede nacional, no horário nobre da maior emissora televisiva do país, um comercial que pede ao brasileiro que tenha educação e boas maneiras, que é o mínimo esperado de um membro de uma sociedade civilizada?
Isso, sem falar que educação e a “civilidade” são princípios básicos para a convivência social equilibrada, ou seja, o mínimo que pode se esperar de um membro da espécie Homo Sapiens Sapiens.
Nossas instituições e conceitos sociais andam bem, hein?
15:15 Escrito em Atualidades | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Sábado, Julho 23, 2005
O caso das cuecas
Quando o país está em recessão até os assaltantes adequam-se a crise.
Sábado toca o telefone no trabalho (sim, esse pobre diabo trabalha aos sábados em período integral), quando atendo percebo que é minha mãe e está meio assustada. Pergunto a ela o motivo para estar daquela maneira e eis que a resposta deixou-me completamente abobalhado:
”Filho, quando fui a padaria entraram em casa e roubaram as roupas do varal”.
“Todas, mãe? Tinha alguma roupa nova lá?”
“Tinha, mas não levaram...”
“Não levaram? Roubaram o que então?”
“Suas cuecas...”
Obviamente desatei a rir do lado de cá. Que maldito ladrão rouba cuecas?
E algumas daquelas cuecas ainda eram velhas, meio largas que guardo, pois são confortáveis para dormir.
Será que os gatunos estão em crise tamanha que agora se contentam em nos desfazer de nossas cuecas?
Meu pai acredita que possa haver alguma ligação entre o larápio e um certo assessor de deputado em uma trama mórbida para envolver-me em algum escândalo político, ou simplesmente ligar-me ao crime.
Se for o caso vocês já estão de sobreaviso: Não fui eu.
As cuecas eram minhas, mas não fui eu!
15:25 Escrito em Eu, por eu mesmo! | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail
Sexta, Julho 22, 2005
A Cantina da Estação
Já que alguns ficaram curiosos para saber o que é a Cantina da Estação que citei no post abaixo, resolvi explicar para os leitores desse humilde blog o que vêm a ser o infame muquifo.
Este é o outro lugar mágico da maravilhosa e micro cidade litorânea onde estou ancorado no momento, com seus longos treze quilômetros de praias e palmeiras verdejantes.
Primariamente a Cantina da Estação, ou Bar do trilho, como alguns preferem se referir ao local, era realmente isso que o nome óbvio retrata: Uma cantina em uma estação de trem do ramal de linhas Santos x Juquiá, que funcionou para transporte de passageiros até 1997 e para transporte de enxofre até 2003.
Entretanto, hoje lá funciona um boteco que é o ponto de encontro do povo da cidade na sua emocionante vida noturna, e no prédio adjacente está locado o clube de motos da cidade, a Tribo da Estação, que surgiu no bar, claro.
Ah! Não se empolguem quanto ao lugar, basicamente é um boteco sujo e apertado com dois balcões, um dono mal-humorado, grosso e chavequeiro, e um ajudante bêbado que serve cerveja quente, o som (Rock n’ roll dos bons) rola num cd-player tosco, as paredes tem umas pinturas estranhas que com a sujeira e o passar do tempo perderam completamente o sentido original, se é que um dia tiveram algum sentido, e o que é mais original no lugar: o tão famoso e celebrado odor de mijo.
Odor de mijo?
Sim, cheiro de mijo.
Como o boteco não tem banheiro, todo mundo que está ali, apreciando sua cerveja Crystal, vai mijar em um paredão que fica atrás do bar, beirando os trilhos de trem, o que dá um aroma todo especial ao lugar na primeira brisa noturna.
Acredito que a fama do boteco veio da pinga-com-mel mais bem servida da cidade (tanto a pinga, quanto o mel) é que atrai tanto os habitantes do pequeno paraíso tropical para o lugar, ou ainda o vinho barato, Matanna ou São Tomé, que agrada até os paladares mais exigentes, ou ainda o aconchegante ambiente rústico, com cadeiras de plástico velhas e imundas (algumas autografas por personalidades locais).
Você deve estar se perguntando: “Se esse bar é uma bosta tão grande, por quê todos vão lá?”. Quem sou eu para explicar esses fenômenos da natureza?Talvez seja a pinga, talvez seja o vinho, talvez seja falta de opção.
15:30 Escrito em A Cidade | Permalink | Comentários (2) | Enviar por e-mail
Quinta, Julho 21, 2005
Ataques em Londres
Mais atentados terroristas em Londres, dessa vez foram quatro bombas pequenas que detonaram na capital inglesa, duas semanas depois dos atentados no metrô que assassinaram mais de 50 pessoas. O clima anda tenso por lá, parece que a situação vai explodir por lá a qualquer momento (tá, essa foi mancada).
15:45 Escrito em Atualidades | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail

